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28/10/2008 12:26:15
‘Pirâmide’ volta com nova roupagem e seduz os jovens
Por Daniel Bittencourt
Amway, Roda da Fortuna, NetFood... sabe o que todas essas coisas têm em comum? O fato de utilizarem o marketing de rede para reunir adeptos no mundo inteiro. Vendendo a idéia do lucro fácil, essas organizações funcionam como se fossem uma pirâmide: várias pessoas juntas formam uma rede de relacionamentos que beneficia, segundo eles, a todos. Mas a impressão é que só quem está no ‘topo’ leva a melhor.
Quanto mais se sobe, mais se ganha. A estratégia, tão antiga, está voltando com força total, principalmente entre os jovens. F.L., de 21 anos, é um dos novatos a embarcar na onda da roda da fortuna.
“Entrei há mais ou menos dois meses quando um amigo me explicou do que se tratava. Fui para três rodas de R$ 250 cada uma e já ganhei R$ 6 mil”, comemora, já que o investimento é muito mais lucrativo do que qualquer outro meio convencional.
FANATISMO
O que é uma novidade rentável para F.L. já existe desde a década de 1940. Sempre com a idéia de que, para subir, é preciso sedimentar a parte de baixo da pirâmide, agregando contatos.
“É um negócio como outro qualquer, com a diferença de que é preciso construir uma rede de relacionamentos”, explica Eduardo Pitombo, especialista em marketing e professor do Ibmec.
Foi embarcando nesse sonho de vida fácil que o designer Andrés Ramos entrou para a Amway. A lendária rede formada pela empresa comercializa vários tipos de produtos e funciona no estilo clássico: ganha mais quem tem mais gente ligada à sua rede de relacionamentos. “As pessoas ficam meio fanáticas pelo dinheiro e pensam que vão ficar milionárias”, explica.
A Amway, que está no país desde 1991, informa que cada afiliado ao sistema tem um percentual de 30% de lucro. Já são 50 mil afiliados no Brasil e cerca de 3 milhões no mundo inteiro. “É um sistema interessante. Não perdi dinheiro, mas ganhei muito pouco”, lamenta Andrés, que ficou apenas seis meses no esquema.
DINHEIRO FÁCIL
O marketing de rede, também conhecido como marketing multinível, foi criado pelo químico americano Carl Rhenborg. Ele implantou um sistema de bonificação para que os revendedores de produtos ganhassem um percentual sobre o que os outros vendiam, já que tinham ajudado essa pessoa a se estabelecer.
A iniciativa, considerada bem-vinda, mostrou, depois de atravessar décadas, que a galinha dos ovos de ouro pode não ser tão dourada assim. “Quem acha que vai falar com meia dúzia de amigos e a vida vai melhorar está enganado”, alerta Pitombo, chamando atenção para as falsas impressões de facilidades no negócio.
O dinheiro fácil foi um dos atrativos para Tiago Lamarca se envolver com as empresas de marketing direto. E ele quase entrou no barco. Quase.
“Era uma sociedade que vendia serviços, você oferecia seu trabalho para quem quisesse. Mas, para entrar, tinha que pagar entre R$ 2.500 e R$ 3 mil”, relembra, assustado. Outro ponto que deixou Tiago desconfiado foi o fanatismo dos participantes. “Parecia um culto de igreja”, compara.
Hoje, bem longe das pirâmides, Tiago não vê a maravilha que muita gente encontrou: carros importados na garagem e vida nababesca às custas dos ganhos vindos com a base da pirâmide. Sincero, ele decreta: “Só entraria numa pirâmide que fosse de sexo”.
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