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26/09/2008 17:08:46

Jovens têm mais medo de engravidar do que de pegar Aids

Por Daniel Bittencourt

“O futuro não é mais como era antigamente”, já profetizava Renato Russo, em uma das letras de sua finada Legião Urbana, ícone dos jovens da geração dos anos 80. Muita coisa mudou não só da década de Russo para cá, mas também desde o advento da revolução sexual. O sexo, ao contrário do que acontecia antes, passou a ser parte essencial das relações afetivas, mesmo que essas relações não estejam ligadas por um laço tão definitivo como o casamento.

Ter vários parceiros sexuais virou uma realidade para homens e mulheres, mas isso, claro, não é novidade. Também não é novidade que, junto com a liberação sexual, vieram as gravidezes precoces e o perigo de contaminação por doenças sexualmente transmissíveis, como a Aids. A conclusão está na pesquisa ‘Este Jovem Brasileiro’, coordenada pelo portal Educacional, um site voltado para educação, que tem parcerias com escolas do Brasil inteiro.

A pesquisa sobre a vida sexual dos adolescentes ouviu 6.300 jovens de escolas particulares de todo o país, que estudam entre a 8ª série do Ensino Fundamental e a 3ª série do Ensino Médio. A conclusão mais alarmante é que os adolescentes que participaram da pesquisa têm mais medo de engravidar (72%) do que de pegar uma doença sexualmente transmissível (51%).

“A gravidez é uma coisa mais próxima. A doença eles não enxergam como uma coisa tão imediata, eles não vêem a Aids, por exemplo, como uma coisa que pode acontecer com eles”, explica Jairo Bouer, psiquiatra que virou referência em falar sobre sexo com jovens no Brasil e um dos coordenadores do estudo.

“Os adolescentes são muito incentivados ao sexo. Atualmente, a televisão, por exemplo, não trata o sexo como um tabu. Hoje em dia, as meninas se arrumam de batom para ir à escola”, detalha Andréa Maia de Santana, gerente de Projetos do Portal Educacional.

Como a pesquisa foi feita apenas em escolas particulares, o universo focado foi o da população mais rica do país o que, conseqüentemente, mexe com os resultados do estudo. Quando o assunto é a idade da primeira relação sexual, isso fica nítido. Ela varia entre 14 e 16 para os meninos e 15 e 17 para as meninas.

Nas classes mais baixas, o sexo é mais precoce. “Nas escolas públicas, o percentual de adolescentes, com essa idade, que já transou, é mais alto. É um reflexo do ritmo de vida das famílias menos estruturadas”, esclarece Bouer.

Entre tantos novos números que mostram uma realidade tão diferente da do passado,  uma questão milenar ainda toma conta do imaginário popular, principalmente o masculino: chegar ao orgasmo rápido demais ainda assusta, e muito.

Para não parecer que o que importa é só a hora H, os adolescentes mostraram que, acima de tudo, o amor é essencial. “A questão afetiva é considerada por eles como primordial”, encerra Andrea. 

 

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